Tudo começa, é claro, porque você não é mais criança, adquire responsabilidades e com o pique juvenil acreditei que daria conta de tudo. Não negligenciei minhas incapacidades nem superestimei minhas capacidades, acredito que eu cai na crise porque as coisas aconteceram mais rápido do que eu achava que seria.
Em um verão lá estava eu, sem camisa pelas ruas do bairro, correndo e conjurando Kame Ha-me Hás imaginários com meus amigos, empinando pipas da sacada e no outro verão estava eu preocupado com os resultados dos exames da faculdade, as contas para pagar e os afazeres no escritório, talvez um Kame Ha-me Ha me salvasse agora.
Desde muito jovem desejei fazer algo relacionado a construção civil, talvez por influencia do meu pai que sempre foi um ótimo mestre de obras e na minha adolescência voltou-se ao design de casas e criação de novas tecnologias de decoração e acabamento. Minhas duvidas com relação a qual faculdade fazer permeavam Engenharia Civil, Arquitetura e Engenharia de Agrimensura, essa ultima já descartada por dificuldades de encontrar o curso em minha cidade. Chegou o vestibular, fui aprovado pelo Pro-uni, entrei na universidade e hoje estou cursando Engenharia Civil. Não, não estou dizendo que estou arrependido, mas estou preocupado. Esse ano estou indo para o meu terceiro ano e é ai que começam os problemas de pensar demais.
Preciso planejar meu futuro, mas - diferente de quando eu era mais jovem - não faço ideia de por onde começar, provavelmente porque agora tenho mais noção da realidade. As coisas todas parecem muito distantes, tenho medo de não conseguir, perdi aquela auto-confiança da adolescência, esta foi substituída por preocupação. E se der tudo errado?
Trabalho no mesmo lugar a aproximadamente 5 anos, apesar de mudar de setor, empresa e coisas mais, mas ainda sim estou no mesmo prédio, com as mesmas pessoas. Não posso reclamar do que faço, muitos na minha idade não alcançaram a metade do que eu alcancei, mas e agora? Para onde vou?
É tudo muito complicado, além é claro da parte amorosa, na qual não tenho nenhum exito significativo a ponto de me acomodar. Poisé, ainda não encontrei minha alma gêmea e por mais que use a desculpa de que preciso me focar nos estudos quando a síndrome te atinge tudo isso soma-se a uma falta de confiança em si , e isso não é benéfico.
Sabe quando você olha ao redor e se pergunta, para onde eu vou? O que devo fazer? Por que fazer? COMO FAZER ?
As vezes eu acho que falta o que eu tinha no colégio. Não importava o que eu fazia sempre havia alguém para admirar e me elogiar, não que eu seja narcisista e precise de bajulações, mas naquela época eu sabia que estava no caminho certo.
Sempre fui orgulho para meus pais, apesar de ser bem distante deles emocionalmente na adolescência, não era uma rebeldia, mas eu desejava liberdade e agora que a tenho não quero. Sinto que tenho me aproximado mais deles, da minha família como um todo. Não faço mais parte de um bando ou grupo.
Não importa o que eu faça existe insegurança, não importa quantos passos eu dê, o relógio parece estar ainda parado. Acho que me acostumei com os grandes saltos da adolescência, as palmas da plateia e agora que preciso colocar um pé de cada vez no chão e caminhar sem um público eu tenho medo de errar e não ser o que todos achavam que eu era.
Eu descobri o mundo real e ele não se parece com o que eu pensava.
Salve, Salve Retalhadores,
Eu sou Levi Kaique Ferreira, Star - Lord e bem vindos a minha crise.
